Epílogo extra: O Pedido do Duque (leitura +18)

Hamilton, Escócia

1820

— Santo Deus, acho que nunca vi tanta neve — Keith reclamou, ao conseguir fechar as portas do celeiro mesmo com o vento forte. 

Liz se aproximou dele, ajudando-o a tirar a neve do casaco. 

— Perdoe-me, querido. Eu juro que não imaginei que fosse nevar tanto assim. Ao menos, não a ponto de termos que nos abrigar no primeiro lugar disponível. 

Porque era ali que eles estavam, em um celeiro qualquer no meio da estrada, na região de Monroe House. 

Como o Duque e a Duquesa de Hamilton, Liz e Keith estavam acostumados a participar dos eventos da nobreza da Escócia. Teriam um baile em três dias, e como os vestidos de Liz já não serviam mais como antes — ela ganhara algumas curvas permanentes após o nascimento da segunda filha deles, Debby, um ano antes —, ela mandara fazer um numa costureira muito renomada das redondezas. Buscar a peça na véspera de Natal não era a ideia inicial, mas com a chegada de Charlotte, Thomas e as crianças para que passassem o fim de ano em sua propriedade, tanto Keith quanto Liz esqueceram de pedir para que um dos funcionários apanhasse a peça. O plano era simples, a princípio. Já que haviam dispensado o cocheiro, iriam até a mulher de carroça rapidamente, apanhariam o vestido e voltariam para casa a tempo de participarem da ceia. Só não contavam com a nevasca ardilosa que os impediria de continuar o caminho. 

— Não se preocupe, querida, você não tinha como controlar o tempo — Keith a tranquilizou, estendendo a ela um dos cobertores que segurava. — Ainda bem que trouxemos algo conosco para nos aquecer. Vamos nos acomodar em algum lugar e, assim que a neve dê uma brecha, seguiremos para casa. 

Liz suspirou, aceitando o cobertor. 

— E se nevar a noite toda? Perderemos a ceia com as meninas. 

— Primrose tem três anos, e Debby, um. Acredite, acho que conseguiremos recompensá-las com algum presente interessante. Sem contar que sua irmã e a família estão lá com elas. O mais importante agora é tentarmos não congelar. 

Liz concordou, afinal, não havia muito a ser feito. Keith deu uma olhada em Timoteo, seu cavalo que ele também havia colocado para dentro. 

— Fique firme aí, rapaz. — Keith fez um carinho rápido na crina. — Venha, Lizzie, acho que consigo nos fazer uma cama improvisada. 

Ele estendeu um dos cobertores sobre o feno e Liz sentou-se, encolhida pelo frio, cobrindo-os com o outro. Ambos se deitaram de lado, um de frente para o outro. Keith estava lindo, seu cabelo ruivo um pouco bagunçado pelo vento. 

O escocês olhou em volta, soltando um suspiro resignado. 

— Tudo bem, admito que pensar nas meninas em volta da mesa em nossa casa aquecida torna essa situação um tanto deprimente. 

Liz riu, chacoalhando a cabeça em negativa. 

— Eu disse. Que escolha terrível eu fiz. 

— Aposto que esse é seu Natal mais triste… — Keith comentou. 

Ela franziu a testa fortemente. 

— Claro que não. Como seria, se estou com você?

Ele não pareceu acreditar nela. 

— Qual foi então? — perguntou o duque. 

— Hum. Me conte o seu primeiro. 

— Meu Natal mais triste? — Keith ajeitou a mão atrás da cabeça, pensando. — Hum, acho que foi quando eu tinha quinze anos. Meu pai tinha planejado visitarmos minha tia em Carlisle e eu escorreguei na neve e tive que passar um mês na cama. 

Liz fez um biquinho. 

— Oh, isso significa que eu poderia ter te conhecido jovenzinho? 

Keith soltou uma risada rouca. 

— Bem, sim e não. Eu cheguei a ir mais vezes para Carlisle antes de nos conhecermos no baile, mas eu e você nunca nos encontramos. 

— Ah, sim. É verdade. Você sempre foi assim, bonitão, mesmo quando jovem?

Ele apertou os olhos para ela. 

— Está me chamando de velho, Vossa Graça?

— O senhor já tem quarenta anos, milorde — Liz provocou. 

Keith puxou-a para si, dando um cutucão em sua costela. 

— Sua atrevida. — Ele riu. — Vamos lá, agora me conte o seu. 

Liz piscou ao parar de rir, seu coração apertando dentro do peito. Já fazia um tempo desde que pensara em seu passado solitário. Sem ele e as filhas maravilhosas que eles tinham. 

— Foi dois anos depois de nos separarmos. Meu pai havia falecido naquele ano, Charlotte estava muito triste… foi um Natal melancólico. 

Keith fez um carinho em seu rosto, mas não a interrompeu. 

— Eu me lembro que pedi para trabalhar naquela noite. Char disse que não queria jantar, que dormiria cedo, então decidi ajudar o Senhor Mathias. Não havia muitos hóspedes, mas acabei ficando no salão, na companhia de um copo de uísque, claro. — Ela sorriu sem humor. — Chorei um pouco, me lembro disso. E me lembro de pensar em você. 

Keith engoliu em seco, emocionado. 

— O que você pensou? 

Liz deu de ombros, sentindo os olhos umedecerem um pouco. 

— No de sempre. Perguntei-me se estaria feliz, se… não sei, ainda pensava em mim com mágoa. Em como sentia sua falta, na culpa que carregava por ter te mandado embora. — Ela acariciou a barba macia de leve. — Em como eu certamente não estaria me sentindo tão triste se você estivesse ao meu lado. 

Keith assentiu, esfregando o nariz no dela. 

— Estou ao seu lado agora. 

— Sim, está. — Liz sorriu, de verdade naquele momento. — Eu estava certa. Como eu disse, não há como ser triste em sua companhia. 

Keith sorriu ao se inclinar para tomar os lábios dela nos seus. Firmou a mão na lateral do rosto dela, sua língua abrindo caminho, explorando cada canto. Liz se entregou completamente, sentindo o sabor maravilhoso dele, o perfume amadeirado e masculino, o calor daquele corpo forte. Céus, anos antes, estar ali em seus braços era tudo que ela desejava. 

A vida fora generosa com ela, não podia negar. 

— Eu a faço feliz, minha querida? — Keith perguntou, buscando seu olhar.

— Todos os segundos, todos os dias — Liz sussurrou. 

Ele sorriu, tão genuinamente que ela poderia chorar de alegria. 

— Sinto-me da mesma forma. E, para não ficarmos melancólicos porque já fizemos muito isso em nossas vidas, acabo de me dar conta de que estamos sozinhos. 

Liz percebeu os olhos azuis nublados de desejo de repente. 

— Está me olhando assim com segundas intenções, não está? — Ela sentiu o corpo inteiro despertar. 

Keith levantou a sobrancelha ruiva e lhe ofereceu um sorriso safado. 

Aye

Santo Deus, como seu marido conseguia ser tão atraente? 

— O que você quer, Keith?

— Você, sem roupas — disse ele, sem cerimônia. 

— Nesse frio? 

Keith mordeu o lábio carnudo ao se afastar um pouco, tirar o casaco e deixá-lo de lado, para depois fazer o mesmo com a camisa. 

— Não se preocupe, meu amor. Eu a manterei aquecida. 

Ah, sim. Com a visão do peito forte e musculoso, ela nem ousou pensar em discordar. 

* * *

Keith jamais se acostumaria com o encantamento que o rosto corado de sua esposa causava dentro de si. E o fogo, é claro. Porque ele ardia por ela, cada dia mais. Ainda assim… demônios, como fazia frio dentro daquele celeiro. Talvez, tirar suas roupas fosse uma má ideia, considerando que suas juntas começaram a doer. 

— O que está fazendo aí parado? — Liz perguntou, com as mãos nos botões do vestido. 

Keith soltou uma risada, seu corpo inteiro arrepiado. 

— Deus amado, está mesmo muito frio. 

Os dois começaram a rir juntos, e Liz voltou a vestir o casaco. 

— Vista sua camisa antes que fique doente! — Ela apontou com um gesto de cabeça. 

Keith alcançou a peça de roupa, seus membros já amortecidos devido à temperatura. 

— Maldição… Eu queria aproveitar esse momento. Mil ideias passaram pela minha cabeça. — Ele vestiu o casaco pesado. 

— Não duvido, mas temos filhas para criar, então teremos que adiar essa noite de paixão para quando estivermos devidamente aquecidos. Venha cá, deite-se abraçado comigo. 

Liz se enfiou debaixo dos cobertores e Keith seguiu seu comando. Abrigou-a em seu abraço, sentindo o perfume floral dos cabelos claros. 

— Melhor? —  Liz perguntou, suspirando. 

— Em seus braços? Como eu não estaria? — disse ele, quase que completamente aquecido. — Mas ainda estou frustrado com minhas vontades que tiveram que ser adiadas. 

Liz sorriu ao buscar o olhar dele. Keith sentiu o coração acelerar no mesmo instante. 

— Prometo te recompensar depois disso. Agora, apenas me abrace e descanse. 

Keith concordou, beijando seus lábios suavemente. Mas ele cobraria aquela promessa em breve, ela que não se enganasse. 

* * *

Após o jantar, no dia seguinte, Liz colocou as meninas para dormir e seguiu pelo corredor até o próprio dormitório. Ela e Keith chegaram à Monroe House naquela manhã, após a nevasca dar uma brecha, bem a tempo de as crianças abrirem seus presentes. Como dormiram abraçados a noite toda, o frio acabou não sendo um problema tão grave, embora Liz estivesse um pouco chateada por perder a ceia de Natal na companhia da família. Contudo, Prim e Debby ficaram bem na companhia de Charlotte, Thomas, Arthur e Molly. Segundo a Senhora Baker, eles se divertiram perseguindo o Senhor Bigode pela casa. O mais importante era que estavam todos bem e, apesar de não conseguirem fazer muita coisa devido ao clima gelado, Liz admitia que passar aquele tempo sozinha na companhia de Keith tampouco fora desagradável. 

Liz parou na porta do quarto assim que deu de encontro com seu marido. 

— Aonde está indo? — ela perguntou, vendo-o um tanto ansioso. 

Keith tomou sua mão entre as suas e a guiou até o andar de baixo. 

— Venha comigo — murmurou ele, e Liz apenas o seguiu. 

Eles chegaram à biblioteca, onde a lareira estalava a lenha, aquecendo aquele ambiente confortável. Keith olhou em volta, na direção do chão, depois passou os olhos sobre os móveis. 

— O que está fazendo, querido? 

— Estou vendo se o Senhor Bigode não está por aqui, pois não quero que nada nem ninguém nos atrapalhe. — Ele trancou a porta do cômodo, e se virou para ela com a expressão devassa que Liz já conhecia muito bem. 

— Atrapalhe?

Aye. — Keith fez um gesto com a cabeça apontando a lareira e se aproximou. — Sua irmã está do outro lado da casa, as crianças estão dormindo, e estamos devidamente aquecidos. Logo… — Ele sorriu, e tirou a camisa branca pela cabeça. — Fique nua. Agora. 

Nossa, mas que escocês mandão ele era, Liz pensou, obedecendo àquele comando. 

— O senhor, Vossa Graça, é muito autoritário. — Ela começou a abrir os botões do vestido. 

Keith deu uma risada rouca, tirando as calças sem dificuldade. Já estava ereto e glorioso como sempre, e Liz sentiu o corpo inteiro esquentar de antecipação. 

— Está demorando, duquesa… — Ele se aproximou dela. — Quer ajuda?

— Você tirando minhas roupas? Jamais vou negar isso. 

Keith sorriu e mordeu o lábio, virando-a para que ficasse de costas. Ele deslizou o vestido dela pelos ombros, tocando-a com o dorso dos dedos ao mesmo tempo em que a beijava na nuca. Liz sentia a ardência da barba contra sua pele, o arrepio que percorria sua espinha e a ansiedade entre as coxas. 

— Como é possível que eu a ame mais a cada segundo que passa? — Keith sussurrou, quando os seios dela ficaram expostos. O vestido caiu aos seus pés e Liz se virou, encarando os olhos azuis que a faziam flutuar. 

— Não sei explicar, mas sinto o mesmo por você — ela sussurrou. — Sempre senti. 

Como ela não estava usando espartilho, Keith ajudou-a a se livrar da chemise e a pegou pelo traseiro, entrelaçando as pernas esguias em sua cintura. Ele colou a boca à dela, explorando-a com a língua, e andou três passos, até que estivessem deitados sobre o tapete felpudo em frente à lareira. 

Keith escorregou pelo corpo dela e separou suas coxas, soltando um ruído baixo e primitivo ao prová-la. Tomou o pontinho pulsante entre os lábios e o sugou, o que fez com que Elizabeth mergulhasse as mãos em suas madeixas ruivas e se entregasse. Ela arqueou o tronco, entregue naquele prazer, enquanto seu marido a lambia, de novo e de novo, devagar e depois mais rápido, até deixá-la à beira do precipício. 

— Keith… — Liz chamou. 

Aye?

— Por favor, me possua — ela arfou com outra lambida. — Eu… — Mais uma. Elizabeth estava prestes a explodir. 

Keith parou e olhou para ela, seus olhos cintilando como brasas. 

— O que você quer, meu amor? — ele sussurrou, explorando a pele dela com as mãos ásperas e fortes. Ele desceu a língua pelo pescoço, depois o colo e tomou um mamilo na boca, mordendo-o levemente. Liz arfou, mergulhando as mãos nos cabelos ruivos, mantendo-o ali, incentivando aquela carícia magnífica. 

— Você. Quero você dentro de mim. 

Ele subiu o corpo para encará-la, acariciando seu rosto. 

— Eu sou seu, Lizzie — disse ele, abrindo as pernas dela para penetrá-la. — Inteiro seu. 

Liz fechou os olhos ao senti-lo, cada centímetro entrando nela, preenchendo-a por completo. Inteiro dela, como ele dissera. Aquela era uma sensação única, quando eles viravam um só. Mesmo após todos aqueles anos de casamento, filhos e felicidade, cada vez em que ela e Keith faziam amor, era como a primeira. 

Linda, intensa e completamente sublime. 

— Mais forte… — ela sussurrou. — Não seja gentil comigo hoje, querido. 

Keith assentiu, seu rosto já contorcido de prazer. Ele levantou o corpo sem sair de dentro dela e ergueu suas pernas, colocando-a num ângulo que fazia a penetração ser mais profunda. Ela gemeu quando ele aumentou a intensidade das estocadas, recuando quase que por completo e entrando de novo, mais forte do que na vez anterior. Liz sentiu o ventre contrair e o prazer crescer em espiral dentro de si. 

— Eu amo você… — eles disseram, juntos. 

Ainda segurando as pernas dela, Keith levou a mão livre ao clitóris e o massageou, intensificando o clímax. Liz estremeceu, completamente arrebatada, e sentiu quando ele também alcançou o prazer, deixando-se cair ao lado dela no tapete, exausto e com um sorriso bonito no rosto. 

Ele a puxou para perto, abrigando-a em seu braço e beijando seus cabelos. 

— Esta foi apenas a primeira da noite… — Keith sussurrou, com a voz travessa. 

Liz o encarou, seu rosto quente, já antecipando o que seu marido terrível havia planejado.

— Quem tem mais fogo? Você ou a lareira? — ela brincou. 

Keith sorriu e se pôs sobre ela, beijando seus lábios. 

— O que você acha? — Ele levantou uma sobrancelha ruiva. 

Liz riu, sabendo a resposta. 

Ele, sem sombra de dúvidas.